Quais gargalos ainda atrapalham a rentabilidade no agro?
Apesar de ser um dos setores mais relevantes da economia nacional, o agronegócio ainda enfrenta entraves estruturais que limitam sua rentabilidade e crescimento contínuo.
O aumento da produtividade, por si só, não garante melhores resultados financeiros. Custos elevados, ineficiências operacionais e variáveis externas seguem pressionando as margens dos produtores. A seguir, destacamos os principais gargalos.
Infraestrutura logística
Dados do estudo anual
“Custos Logísticos e o Impacto nas Empresas Brasileiras” apontam que os custos logísticos no Brasil atingiram
R$ 1,96 trilhão em 2025, o equivalente a
15,5% do PIB nacional.
Em países desenvolvidos, esse percentual costuma variar entre 8% e 12%, o que evidencia a ineficiência da malha logística brasileira, especialmente no transporte rodoviário.
Estradas em más condições, alto custo de frete e gargalos operacionais nos períodos de pico de safra fazem com que a logística represente uma parcela significativa do valor final da commodity, reduzindo a margem do produtor e prejudicando a competitividade internacional.
Capacidade de armazenamento
Outro gargalo relevante está na armazenagem. Em muitos casos, a capacidade de estocagem não acompanha o crescimento da produção, obrigando o produtor a vender rapidamente após a colheita.
Isso reduz o poder de negociação e impede que se aproveitem momentos mais favoráveis de mercado. Além disso, a falta de estrutura adequada aumenta o risco de perdas pós-colheita e compromete a eficiência operacional como um todo.
Custos de produção
Os custos de produção no agro seguem altamente sensíveis a fatores externos, como variações climáticas e inflação global. Mesmo em cenários de alta produtividade, esses custos podem comprometer significativamente a rentabilidade.
Esse contexto reforça que produzir mais não significa, necessariamente, ganhar mais. A sustentabilidade das margens depende de otimização do uso de insumos, controle rigoroso de custos e eficiência operacional.
Variáveis climáticas
O clima sempre foi um fator determinante no agronegócio, mas sua imprevisibilidade tem se intensificado. Eventos extremos, como secas prolongadas, geadas e chuvas excessivas, tornaram-se mais frequentes e impactam diretamente a produtividade e a qualidade das safras.
Mais do que reagir, o desafio passa a ser antecipar cenários e mitigar riscos, adotando uma gestão mais estratégica e orientada por dados.
Gestão de dados
Um dos fatores que agravam todos esses gargalos é a fragmentação da gestão da informação. Muitos produtores ainda operam com sistemas desconectados ou processos pouco digitalizados, dificultando a consolidação dos dados e a visão integrada do negócio.
Sem informações confiáveis e em tempo real, decisões estratégicas, como compra de insumos, planejamento de safra e momento de venda, tornam-se menos assertivas. Em um cenário altamente competitivo, a gestão eficiente de dados deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico.