O que o mercado externo exige do agronegócio brasileiro?

19 fev 2026

O agronegócio brasileiro consolidou, em 2025, sua posição como um dos pilares mais relevantes da economia nacional. Além de ser responsável por abastecer o país e apoiar cadeias produtivas diversas, o setor vive um momento de destaque no cenário internacional, um contexto que potencializa novas oportunidades e exige atenção às mudanças globais.

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Comunicação Social, o Brasil atingiu um recorde histórico de exportações no ano passado, alcançando US$ 169,2 bilhões, valor que representou 48,5% de tudo o que o país vendeu ao exterior. Como resultado, o setor gerou um superávit comercial de US$ 149,07 bilhões, reforçando sua força e capacidade competitiva.


Esses números evidenciam a robustez do agronegócio brasileiro. Porém, para sustentar esse protagonismo, é essencial que o setor continue atendendo às exigências regulatórias, sanitárias e socioambientais cada vez mais rigorosas impostas pelo mercado externo.


Compreender profundamente essas expectativas é decisivo para manter a competitividade em um cenário global marcado por volatilidade de preços, novas políticas ambientais e acordos comerciais mais seletivos. Ao mesmo tempo, adequar-se às exigências internacionais reduz riscos, fortalece relações comerciais existentes e abre portas para mercados premium e de alto valor agregado.


Para apoiar sua empresa nesse processo, reunimos um conteúdo completo com tudo o que você precisa saber sobre o tema.


Tópicos abordados neste conteúdo

  • Cenário do agronegócio brasileiro no comércio internacional
  • Principais exigências regulatórias do mercado externo
  • Riscos de não atender às exigências internacionais
  • Como se preparar para competir globalmente

Cenário do agronegócio brasileiro no comércio internacional

Hoje, o agronegócio ocupa uma posição central na pauta de exportações brasileiras, sendo um dos principais fornecedores globais de alimentos, fibras e commodities. O setor não só alcançou recorde histórico de exportações em 2025, como também registrou um crescimento de volume de 3,6% no mesmo período.


Outro destaque foi a safra recorde de grãos do ciclo 2024/25, que alcançou 352,2 milhões de toneladas. Além disso, o país teve maior diversificação de mercados, com 525 novos destinos abertos desde 2023, fortalecendo ainda mais sua presença global.


O superávit do setor, de US$ 149,07 bilhões, é resultado direto da diferença entre o que é exportado (US$ 169,2 bilhões) e o que é importado (cerca de US$ 20,2 bilhões em insumos).


Entre os produtos mais exportados, a soja em grãos continua em destaque, com mais de US$ 43,5 bilhões em receita e embarque recorde de 108,2 milhões de toneladas em 2025. Outros produtos relevantes incluem carnes bovina, suína e de frango, café e celulose.


O principal destino das exportações brasileiras continua sendo a China, responsável por 32,7% das compras. Em seguida, aparecem a União Europeia e os Estados Unidos, mercados conhecidos por suas exigências rigorosas em qualidade, segurança alimentar e rastreabilidade.

Quais são as principais exigências regulatórias do mercado externo?

As exigências regulatórias internacionais não dizem respeito apenas a tarifas e impostos. Elas envolvem, sobretudo, critérios técnicos, sanitários, de qualidade e de sustentabilidade que precisam ser comprovados e documentados antes de um produto agropecuário brasileiro ter autorização de entrada em outro país.


A seguir, explicamos detalhadamente cada uma dessas exigências:


Requisitos sanitários e fitossanitários (SPS)

Essas exigências são fundamentais para proteger a saúde humana, animal e vegetal dos países importadores. Cada país define seus protocolos específicos de acordo com riscos de pragas, doenças ou contaminações associadas ao produto agrícola.
Para exportar, o produtor precisa:
  • seguir protocolos oficiais definidos pelo país importador;
  • passar por inspeções e auditorias locais;
  • obter certificações oficiais (emitidas por órgãos como o MAPA);
  • garantir que toda a documentação acompanhe o produto até o destino.
Sem essa conformidade, nenhum embarque é autorizado.

Certificações e documentos obrigatórios

A entrada em mercados internacionais exige a emissão de documentos oficiais que comprovem a conformidade técnica do produto. Entre os mais comuns estão:
  • Certificado Fitossanitário Internacional
  • Certificados sanitários para produtos de origem animal
  • Declarações de Boas Práticas de Fabricação
  • Declaração de Venda Livre no Brasil
  • Certificações digitais emitidas por sistemas eletrônicos oficiais
Cada mercado pode exigir um conjunto específico de documentos.

Cumprimento de normas técnicas e padrões internacionais

Além dos controles sanitários, muitos países exigem que os produtos atendam a normas técnicas próprias. Isso inclui:
  • regras de rotulagem e composição;
  • padrões de higiene e boas práticas reconhecidas globalmente;
  • testes laboratoriais validados pelo país importador;
  • certificações de programas internacionais de qualidade.
Em muitos casos, essas normas são mais rigorosas do que as estabelecidas no Brasil.

Acordos e negociações bilaterais

Vários produtos brasileiros só podem acessar mercados internacionais porque existe um acordo bilateral que especifica padrões e condições para exportação. Isso é comum em setores como carnes, frutas, sementes e pescados.
Nos últimos anos, o Brasil ampliou significativamente esses acordos, o que tem gerado abertura para novas categorias de produtos.

Exigências socioambientais

Mercados como a União Europeia têm adotado políticas ambientais mais robustas, incluindo legislações como as de desmatamento zero. Assim, para exportar é preciso comprovar:
  • rastreabilidade completa da cadeia produtiva;
  • cumprimento de normas de bem-estar animal;
  • práticas sustentáveis de manejo e uso da terra;
  • ausência de vínculos com áreas desmatadas ilegalmente;
  • uso de plataformas eletrônicas que validem essas informações.
Esses critérios estão se tornando padrão global.

Quais são os riscos de não atender às exigências do mercado externo?

Não estar em conformidade com exigências internacionais coloca o agronegócio em situação de vulnerabilidade. Os impactos vão muito além da devolução de uma carga.


Bloqueio de cargas

É o efeito imediato da não conformidade. Cargas podem ser:
  • retidas em portos;
  • devolvidas ao Brasil;
  • destruídas (dependendo do produto e do risco sanitário).
Além da perda financeira, há custos com armazenagem, logística, multas e processos adicionais.

Perda de acesso a mercados estratégicos

Reincidências ou irregularidades graves podem levar à:
  • suspensão temporária de habilitações;
  • cancelamento de acordos bilaterais;
  • embargo total do produto ou da planta exportadora.
Para um país que depende de mercados como China, União Europeia e EUA, essas restrições afetam toda a cadeia produtiva.

Aumento de custos e perdas financeiras

Entre os impactos diretos e indiretos estão:
  • cancelamento de contratos;
  • aumento do valor de seguros internacionais;
  • dificuldade de acesso a financiamentos;
  • perda de credibilidade e reputação.

Exclusão de cadeias globais de valor

Compradores internacionais podem excluir fornecedores que não atendem aos requisitos socioambientais e sanitários.
Isso significa:
  • perder contratos de longo prazo;
  • ficar de fora de mercados de maior valor agregado;
  • perder competitividade frente a outros países fornecedores.

Como o agronegócio brasileiro pode se preparar para atender às demandas globais?

Para que as empresas mantenham sua competitividade, é essencial investir em processos, governança, tecnologia e planejamento estratégico. Veja como:

Invista em gestão de dados

Com mercados cada vez mais digitais, não é possível garantir conformidade sem dados confiáveis. Isso inclui o registro completo da cadeia produtiva, desde insumos até logística e documentação.
Sem dados estruturados, não há rastreabilidade — e, portanto, não há exportação.

Tenha uma governança sólida

É essencial mapear riscos, acompanhar legislações internacionais e padronizar processos internos. Boas práticas incluem:
  • auditorias internas e externas;
  • monitoramento contínuo de regulamentos;
  • políticas de compliance bem estruturadas.
Isso diminui riscos e fortalece a competitividade.

Busque certificações e padrões internacionais

Certificações são um diferencial competitivo e funcionam como um “passaporte” para novos mercados. Elas:
  • reduzem barreiras técnicas;
  • aumentam a confiança dos compradores;
  • agregam valor ao produto;
  • facilitam o acesso a mercados premium.

Conte com uma consultoria especializada

Diante da complexidade regulatória, contar com especialistas é um investimento estratégico. A delaware oferece:
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